do fumo do preto-velho a lição da caridade

Falar das entidades nunca é tarefa fácil, ainda mais falar dos queridos pretos-velhos.
Como não sei ao certo como escrever e por onde começar, tomo a liberdade de trazer algumas palavras do meu guia o Pai Tobias de Guiné.
fumo de corda para fazer cigarro de palha
Bem no começo de meu desenvolvimento mediúnico com esta entidade de Luz, lembro-me que sempre que comprava um cigarro de palha ele falava para alguém: “esse fumo não é puro!”.
Na próxima gira eu já estava com um novo “modelo”. “esse fumo não é puro! tá misturado com outras coisa!”. Giras se passaram, e muitos foram os “modelos” de cigarros de palha que eu tentei e nenhum dava certo.

 

Mas, se outros fumavam aqueles cigarros de palha, por que só o Pai Tobias incorporado em mim não aceitava? Será que sou eu que estou atrapalhando as incorporações?

A resposta veio na outra gira. Pedi para um irmão de corrente questionar como poderíamos fazer para encontrar um cigarro que fosse puro, e assim desse certo. Incorporado este irmão chegou ao Pai Tobias e perguntou. A resposta veio na mesma velocidade: “Meu cavalo deve parar de ser preguiçoso e fazer ele mesmo o cigarro! deve ir pegar o fumo em corda, picotar, esfarelar, esfregar, abrir a palha, ajeitar, e com muito cuidado enrolar! E não vai adianta passar a língua para fechar, pois o cigarro será usado tempos depois, então ele pega um pedaço da própria palha e faz um amarradozinho!”

Pronto, lá vou eu me aventurar em algo nunca feito por mim! Cheguei na tabacaria e falei gostaria de um pedaço de fumo de rolo para cigarro de palha. Imediatamente a moça que me atendeu falou:

– “pois não! qual desses o senhor quer?” me apontou um balcão com mais de 10 tipos de fumo de rolo.
Sem saber ao certo, pedi um suave, que fosse bastante aromático. Pensei este deve servir.
Então pedi a palha, afinal agora é fácil, pensei!” – novamente a simpática atendente perguntou:

– “o senhor quer palha fervida no leite? se sim essa estamos em falta! mas temos as marcas x, y, z, w, … de outras palhas.”

Sem saber como, nem porque eram diferentes pedi uma que fosse fácil de enrolar. Ela me deu uma que até hoje uso, pois realmente facilita o trabalho de enrolar.
Cheguei em casa e comecei a cortar o fumo, picotá-lo, raspá-lo e desfiá-lo. Isso deve ser fácil. passados alguns minutos, outros minutos, e mais alguns, comecei enrolar o cigarro! o Primeiro confesso que enrolei uma dezena de vezes! mas consegui, deixei prontos 7 cigarros, após nada menos que uma hora e meia de trabalho.

Agora sim, suei, aprendi e o meu querido Pai Tobias vai ter o fumo que tanto quer!
Na gira, faceiro que estava, incorporo este Preto-velho, minha querida cambone acende o cigarro de palha e …
um cheiro ruim, o cigarro não parava aceso, abria, saia fumo. Um verdadeiro “sucesso”!

Decepcionado, mas não sem vontade de melhorar me lembrei que meu avô, homem do interior de Minas, já tinha fumado muitos cigarros de palha.
Me desloco até a cidade em que meus pais e meus avós moravam e peço auxílio a este ancião de minha família:

-“Vô, como o senhor sabe estou na Umbanda! e sem entrar no mérito, pois sei que o senhor e a vó são muito católicos, eu recebo, incorporo, um preto-velho que fuma um cigarro de palha, só que não sei fazer, tentei e foi um verdadeiro fiasco. O senhor teria a bondade de me ensinar a fazer,a escolher o fumo, a palha, como enrolar e tudo o mais?”
Esperando que a conversa poderia ser sobre a Umbanda, e que ele acharia estranho eu pedir para fazer um cigarro de palha a resposta de meu amado avô foi:

– “Você sabe que há alguns anos eu tinha um pedaço de terra em Minas Gerais. Nesta época eu plantava café. Fiz tudo bonitinho. Fiz a curva de nível, plantei uma espécie boa, adubei, tava bonito o cafezal. Tudo estava indo muito bem! então uma praga tomou conta do meu café! Colônias e mais colônias de formigas estavam atacando minha plantação! usei tudo que é tipo de produto! chamei agrônomo, a cooperativa e nada adiantava! Muito desconsolado voltando para o Paraná sem saber o que fazer com as formigas, umas duas propriedades depois da minha avisto um rancho, e nele sentado um senhor de idade, bem velho, negro, mas não moreno, não, negro mesmo! Por alguma razão que não sei qual parei e dei boa tarde. ele me respondeu muito manso e imediatamen te antes que eu arrancasse o carro ele me falou: ‘O Senhor tá tendo uns pobrema cas furmiga né meu filho?’, respondi que tava e não conseguia me desfazer delas de jeito nenhum. o velhinho, fumando um cachimbo, me falou: ‘eu vou ensinar o fio a fazer um remédio! ocê pega aquelas folha meio laranja perto da entrada no lado esquerdo, põe pra ferve, pega um poquinho disto e daquilo (desculpe mas não me lembro estes detalhes) e passa nos pé da pranta e tudo vai dar certo! Vá com Deus meu fio’. Agradeci muito aquele senhor e voltei para o Paraná. Voltando ao sítio falei, não vai me custar nada tentar a receita daquele senhor, talvez ele seja daqui e conheça a terra melhor que os engenheiros. Passei o produto; todos os meus pes de café ficaram livres da formiga! Voltei para a estrada para agardecer aquele velhinho e nunca mais o encontrei! Mas vamos lá na tabacaria que eu vou lhe ensinar a fazer este cigarro!”

Sem muito espaço para comentar, fomos até a tabacaria que ele conhecia. Chegando lá meu avô me explicava que este fumo era assim, o outro era assado, que este era usado um produto para fazer ele brilhante, que aquele era de Goiás, que este era de Minas.
Enfim, quem dera eu ter um gravador naquela hora para gravar tanta informação. Nas palhas não foi diferente, me explicou cada uma e o porque daquela que eu tinha gostado.
Saindo de lá com um fumo, e as palhas, pensei agora tudo vai dar certo!
Então meu vô me perguntou:

– “Com qual canivete você picotou o fumo?”

Respondi, meio rindo, que com uma faca de cozinha! Desviamos o rumo e fomos parar em uma relojoaria???? O que vamos fazer aqui, pensei?

Meu avô deu boa tarde e pediu um canivete, um bem simples a meu ver, uma lâmina, inteiro prateado de uma marca que ele escolheu. Percebi que era um igualzinho ao que andava no bolso. Então ele me falou que para cortar um fumo o fio tem que estar bem afiado e que o canivete era mais fácil, e estava sempre a mão. Um presente, disse ele.

Mais feliz ainda sai daquele lugar. Aprendi a fazer o fumo com o tipo que meu avô me ensinou! com a palha que ele me ensinou! e uso até hoje o canivete que me presenteou.
Passados pouco mais de um ano meu avô faleceu, ou melhor desencarnou!

Até hoje faço os cigarros do Pai Tobias de Guiné com o fumo, a palha e o canivete do meu avô (as vezes me socorro de uns comprados prontos pela falta de tempo), mas graças a este espírito de Luz tive uma oportunidade de me aconselhar, de conhecer histórias e ficar mais tempo com meu avô, que tanto amo!

E percebi então o porquê daquelas solicitações para mudar de fumo! E nesta historinha todos podemos entender como um Preto-velho trabalha. Simples, nos levando e nos encaminhando a situações que para sempre serão lembradas e nos transformam, sem mesmo percebermos.

Quando percebi isto falei: este Pai Tobias me fez fazer o cigarro por isso, não é!!??!!
Uma voz em minha cabeça, com um riso muito gostoso falava:

– “Eh meu fio, ocê descobriu apenas um pedacinho!’

Sem entender direito toquei a vida. Um pouco mais tarde no meio de minhas tarefas diárias profissionais, estressantes, lembrei que tinha que fazer o cigarro do Pai Tobias. Pedi licença e corri para minha casa. Sentei e comecei a fazer o cigarro. Fui me acalmando, me conectando e lá veio a voz de novo:

– “Agora o fio compreendeu um pouco mais né?”

O Pai Tobias de uma forma muita clara me falava, pare, reflita. Deixe um tempo para que possamos equilibrá-lo, para que você possa sair da tempestade do dia-a-dia e acalmar a mente, escutar um pouco suas entidades.

Obrigado meu Pai, minha vida não seria a mesma sem a sua presença, minha vida espiritual agradece a Deus e aos Orixás por sua presença comigo! Saravá o Pai Tobias de Guiné! Saravá todos os Pretos e Pretas-velhas da Umbanda! Que eles possam sempre estar na nossa vida, aconselhando e iluminado!

 

Ao meu querido e amado avô carnal Aparecido Caetano de Paula
Que Deus o abençoe, que o pai Tobias de Guiné com a força de Omolu, de Iansã e Ogum possam ajudar o senhor no mundo espiritual!! Muita luz, amor e paz!

Autor: Pai Caetano de Oxossi
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