Oxalá

Oxalá é o Orixá que rege a fé, é assim, o caminho entre nós filhos (criaturas) e o Pai (criador). Fé é a crença, a convicção da existência de fatos ou da veracidade de algumas afirmações. Ou seja, crer em Deus, nos Orixás, na vida após a morte, nas reencarnações, são atos de fé, portanto regidos pelo Orixá Oxalá. Sem a força e o axé deste Orixá não há como compreender, entender ou vivenciar os demais Orixás, a Umbanda ou mesmo Deus.

Oxalá é também a figura paternal na Umbanda, assim como Iemanjá é a grande mãe, Oxalá é o grande pai, isto pois, na mitologia Oxalá é o pai de quase todos os Orixás. O próprio nome Oxalá revela a questão paternal, pois Oxalá é a corruptela de Orixalá, que significa Orixá dos Orixás, ou Pai dos Orixás. Esta reverência se dá por ter sido Oxalá um dos primeiros movimentos de Deus, uma das primeiras manifestações divinas.

Por estas razões Oxalá é o Orixá do branco, ou como dizem nos candomblés o Orixá Fun-fun, branco de pureza. Branco que simboliza a pureza, mas que também significa a união das luzes. Por isso assume a figura de pacificador, de promoção da paz, da tranquilidade. Assume, também, a figura do senhor da razão, que aliado a fé constrói em cada um de nós a certeza da existência de Deus e de suas manifestações por adesão (fé) e por raciocínio (razão).

Oxalá por tudo isso é sempre visto como uma figura central nos terreiros. Sua imagem está centralizada nos altares, e muitas vezes chega a ser muito maior (a imagem) do que os demais Orixás. Difícil é entender que apesar de tudo isto não é um super-Orixá, não é melhor ou mais do que os demais. Não há para a Umbanda hierarquia entre os Orixás, pois sem a manifestação de qualquer um deles não há vida, não há axé.

Na mitologia Yorubá coletamos diversas parábolas que tratam da figura de Oxalá como pai, como caminho de Deus, e também como o responsável pela criação dos homens e das mulheres.

Segundo este mito Yorubá Deus chamou Oxalá (no mito seu nome é Obatalá) e mandou ele confeccionar o homem, e Oxalá buscou em todo tipo de material, areia, ar, água, vegetais, mas não conseguia moldar o homem, então Nanã Buruquê empresta seu barro primordial, e com esta matéria Oxalá cria o homem, e dá a Deus (Olorum) que então satisfeito sopra sobre os homens e mulheres feitos de barro de Nanã e dá a eles, assim, a vida.
Oxalá, portanto, é o regente da nossa vida, por isso muitos o chamam de regente planetário.

Nosso pai Oxalá representa a maturidade espiritual, o equilíbrio pleno e a sabedoria absoluta.  Seu símbolo é um cajado denominado opaxorô. O opaxorô é composto de uma aste (cabo) com três pratos fixados, e em cima do último uma pomba, ou pássaro. Cada prato simboliza uma dimensão: o mundo dos homens encarnados, o mundo espiritual (eguns) e o mundo dos Orixás. Os mundos são conectados por um cajado, que demonstra que os mundos ou dimensões não existem por si, mas precisam de um eixo (Deus). Por fim no topo do cajado observa-se um pássaro que simboliza a união, a ligação, a comunicação entre os mundos. Demonstrando o símbolo que Oxalá é o senhor destes mundos, e que pode transitar por eles.

Interessante observar como os símbolos se assemelham em diversas religiões. Para muitas religiões cristãs Deus se comunica com os homens por meio do Espírito Santo, que é representando por uma pomba branca.

No sincretismo figura Jesus Cristo como a representação do Orixá Oxalá nos terreiros. E observamos a sabedoria na escolha deste representante. Afinal no cristianismo o senhor da fé aquele que representa Deus na Terra é Jesus, portando nada mais natural que Jesus representar Oxalá.

Mas Jesus é Oxalá? Para nós não, pois Oxalá, assim como todos os demais Orixás são emanações, qualidades, movimento, do próprio Deus (Olorum), portanto, não pode ser individualizado em um ser, em uma pessoa. Tenho a crença, fé, que Jesus Cristo foi uma figura de importância incomparável, e que seu espírito é e era de uma elevadíssima condição moral, e que por amor aceitou a missão de espalhar um caminho de fé e libertação para a felicidade verdadeira na terra dos encarnados. Portanto defendo uma tese que Jesus era um emissário de alto escol do Orixá Oxalá, sendo hoje um dos espíritos que dirigem as energias e os espíritos trabalhadores de Oxalá para o nosso planeta.

ARQUÉTIPO

Os filhos desse Orixá são pessoas de confiança. Reflexivos e pensativos. Querem refletir e descobrir o porquê de seus sentimentos até a exaustão. Filosofam sobre seus sentimentos ao ponto de se perderem nesse emaranhado de pensamentos.

São lentos, as vezes preguiçosos, e calmos. Mesmo quando apresentam um temperamento explosivo externamente, são calmos internamente.  

Geralmente se sentem vítimas, acham que há uma conspiração, ou uma razão que eles desconhecem para que falhem. São pessoas que não são subservientes, não aceitam a submissão. Respeitosos, mas sempre deixam claro que no final a decisão é deles, podendo chegar a casos de autoritarismo.

São pessoas muito reservadas, introspectivas. Têm dificuldades de expor seus problemas íntimos. Quando acreditam achar a solução para um problema se tornam teimosos e será uma tarefa muito, mas muito difícil convencê-los do contrário.

Pessoa muito organizada. Tem tendência a buscar a reclusão para resolver suas pendências, em geral busca a solidão. Para que o filho de Oxalá desperte em si mais alegria de viver deve aprender a aproveitar, a apreciar as pequenas coisas da vida e delas retirar momentos de prazer e alegria.

Nunca esquecem uma traição, uma falta, podem não guardar o rancor ou a raiva, mas jamais esquecerão do ocorrido.

Dia da semana – Sexta-feira (ou domingo)
Cor – Branca
Ervas – Boldo (tapete-de-Oxalá), alecrim, sálvia, folha de Girassol, folha e flores de laranjeira, alfazema, alfavaca, manjericão, rosa branca, agapanto, guaco, jasmim do cabo, manjerona.
Amalá – 7 velas brancas ou 14 velas brancas, fita branca, água mineral em coeté, canjica cozida na água servida em louça branca coberta com algodão, uvas verdes, pêra verde, maçã-verde, flores brancas (rosa branca em especial).
Saudação – Êpa Babá (olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais)
Local de entrega – campinas, pradarias, praia, clarões nas florestas.

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