Iemanjá

A Orixá
A Orixá maternal, senhora cujos domínios são os oceanos e os mares, senhora de quase 2/3 da Terra. Muito difundida e cultuada no Brasil, tem grande destaque na mídia e deve ser o Orixá mais conhecido e falado. Mas isso não dá a Iemanjá nenhum status, nenhuma posição hierárquica maior do que as demais.
É a caracterização, é a força divina que representa a maternidade. Não a maternidade de Oxum, que é mais uma maternidade deslumbrada, do ato da concepção até o nascimento, e sim uma maternidade mais austera, simples, madura, a maternidade no sentido da educação.
Por essa razão é um orixá que nos dá e nos ensina tolerância, amor fraternal, o carinho entre entes queridos e como ampliar o rol de pessoas queridas. 
Assim pode-se dizer que Iemanjá é a união familiar é o Orixá dos lares e das famílias. Nos Terreiros é Iemanjá que comandará a união da corrente dando a mesma um sentido de família. É a representação da “preocupação” divina de ver seus filhos (criaturas) evoluindo estando trilhando o caminho do bem e do amor.
Por ser a Senhora dos oceanos, tem uma função primordial na dissipação e transmutação das energias deletérias. São seus mensageiros, os espíritos que trabalham na vibração de Iemanjá responsáveis por quase toda a limpeza astral do planeta, e sua renovação. Mesmo Oxum e Iansã, também Orixás responsáveis por essa tarefa levam suas águas e ventos até o mar, para que lá haja a total renovação. Não é a toa que o líquido amniótico é salgado, não é a toa que o banho de sal grosso é tão forte na retirada de energias maléficas. Por ser a água do mar essa fonte de vida e renovação, de transmutação da matéria é que Iemanjá também é muito “acionada” em todos os trabalhos de magia, pois sua energia primordial molda e cria qualquer coisa.
Estudos sobre a origem da vida afirmam que antes da primeira vida, uma ameba, existia um caldo salgado (um mar primordial) e que toda a vida surgiu daí. É um fato científico que demonstra como os africanos já sabiam da origem da vida ao atribuírem isso a Iemanjá. Por ser primordial, fácil é criar e transformar.
Por essa razão a força e a importância dos Marinheiros, povo de Umbanda composto por espíritos com estreita e íntima ligação com nossa mãe Iemanjá, e são especialistas em levarem as energias deletérias embora, promovendo limpezas astrais nos terreiros.
Por essas razões, por ser essa grande-mãe, é que as crianças da Umbanda têm relação tão estreita com Iemanjá. Sendo esta a Orixá responsável pelos Erês, tendo sob sua vibração a grande maioria desses seres puros e caridosos.
Da mesma forma é que teremos uma relação tão profunda entre os pretos-velhos e Iemanjá.
Muitas lendas afirma ser Iemanjá a senhora de todas as coroas, independente do orixá que regerá aquela pessoa.
Sua saudação Odoia ou Odociaba significam Mãe das águas.
Iemanjá
 
 
ARQUÉTIPO
Os filhos de Iemanjá serão pessoas que terão uma forte relação familiar, vão querer zelar e proteger toda a sua família. E o conceito de família para os filhos dessa Orixá não são reduzidos aos graus de parentesco. Todas as pessoas que esses filhos gostarem terão sua proteção e zelo, seu carinho e sua atenção. Lembrando que adotam o princípio da grande-mãe, ou seja querem deixar claro que estão hierarquicamente acima e querem esse respeito. Entretanto, esse sentimento muitas vezes ultrapassa alguns limites, produzindo certos tipos de possessão, protecionismo exagerado, relação de dominação, e por vezes não permitindo a seus “filhos” enfrentarem os problemas do mundo, preferindo passar elas os problemas a deixar seus entes queridos passarem.
Essa relação de maternidade e proteção também promove um espírito de intromissão, de querer palpitar em tudo, saber de tudo. Não suportam a idéia de que não podem saber o que está acontecendo, com quem e quando.
Desenvolvem um sentimento de amor às criaturas, e amam de início, mas aos poucos vão tentando moldar as pessoas a aquilo que acreditam certo. Quando essa pessoa não aceita ou faz o contrário começam os conflitos.
São pessoas que gostam do luxo, de arrumar suas casas, e mesmo quando não possuem muitos recursos usam tudo ao seu alcance para decorar e dar “sofisticação” ao seu lar. São vaidosos, mas não no mesmo sentido dos filhos de Oxum. São diretas, capazes de algumas chantagens emocionais para conseguirem seus objetivos. 
Por tudo isso Iemanjá não aceita, não gosta da vida solitária. Buscam de todas as formas uma vida junto a tribo, a sua comunidade. São aquele tipo de pessoa que prefere uma casa de parente de um amigo a um hotel.
Não são pessoas que ambicionam para si carreiras profissionais longas, não pensam a longo prazo nesse sentido, e por isso não são afeitos a profissões muito competitivas. O único pensamento a longo prazo são para seus filhos. Dessa forma não gostam muito de mudanças, preferem a certeza do cotidiano. 
São conhecedores da natureza humana e por isso demoram a confiar em alguém. Quando o fazem aceitam a pessoa por completo, defendendo-a em qualquer situação. Mas magoado, machucado pode guardar rancor por muitos anos.
Não gostam de ser criticados e se irritam com facilidade nessas ocasiões, bem como quando sua autoridade é posta em ameaça ou em dúvida.
Dia da semana – Sábado
Cor – Azul
Ervas – folha de capiá (lágrima de Nossa Senhora), hortelã, araçá-de-praia, açucena, araticum-de-praia, graviola, musgo-marinho, pata-de-vaca, Trapoeraba-azul, cavalinha, malva-branca, rosa-branca;
Amalá – 7 velas azuis, 7 velas brancas, fitas branca e azul, água mineral servida em coeté, manjar, uvas brancas ou verdes, flores (de preferência Rosa-branca).
Outras comidas – pêra, maçã-verde, araçá-da-praia (araçá branco), milho branco.

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