Xangô

O Orixá

Xangô, Orixá, dono das coroas, Rei de todos nós, senhor do equilíbrio, a Justiça de Deus sobre todos nós. Senhor das pedreiras. Salve Xangô, Kaô Kabecilê Obá!

Uma das qualidades divinas que todas as fés, credos e religiões mais cultuam e propalam é o poder de Justiça que o Criador, Deus, ou nome equivalente (Alá, Olorum, NZambi, etc.), possui. Para todos só existe uma justiça verdadeira e perfeita a que é executada e dita por Deus.

Na Umbanda isso não é diferente. A justiça divina, ou a justiça perfeita é executada e dita por um Orixá, o senhor Xangô. Assim na raiz umbandista a emanação de Deus denominada Xangô é a que concentra as energias, os espíritos e elementos necessários para que a Justiça Divina seja cumprida e que as leis do universo, as leis de Deus possam ser seguidas.

Neste sentido existem pontos que enaltecem este atributo tão importante, a justiça:

Xangô, mostrai a força que vos tendes,
Xangô é o Rei da JUSTIÇA,
e não engana ninguém.”

“Ele bradou na aldeia, bradou na cachoeira
em noite de luar,
em noite de luar
Do alto da pedreira vem fazer JUSTIÇA
Para nos ajudar
Ele bradou na aldeia, kaô, Kaô
Ele vai bradar, kaô, kaô
…”

“Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalha
Ele vence demanda
Ele é seu Arirá …. bis
Kaô, Kaô
Kaô, Kaô
A JUSTIÇA chegou Xangô”

Ou mesmo nos pontos dos caboclos de Xangô encontram-se a Justiça como ponto de força, e de axé:

“Cheguei sou Quebra-Pedra
Sou Caboclo de Xangô….bis
Tem vez que estou aqui
Tem vez que não estou
Só venho quando
Pede a JUSTIÇA de Xangô
Kaô, kaô, kaô
Sou Quebra-Pedra
Sou guerreiro de Xangô.”

Mesmo quando não há a expressa palavra Justiça outras palavras descrevem ou remetem à justiça divina como no ponto:

“é Xangô o rei de lá das pedreiras.
É Oxum rainha das cachoeiras……bis
Xangô é Rei
Xangô é Rei Orixá
Escreve LEI, pros filhos de Oxalá”

Ou:

Meu Pai São João Batista é Xangô
Dono do meu DESTINO até o fim
…”

Nos cantos e nos atributos desse Orixá está intrínseco a noção de Justiça, e isso irá refletir em todos os trabalhos que precisarmos de Xangô. Seu instrumento, seu símbolo é um machado chamado Oxé, que possui lâminas iguais dos dois lados. O Oxé é a própria representação da Justiça pois mostra que Xangô é imparcial, mostra que em uma pendência a decisão será Justa.

Desta forma quando é preciso buscar justiça nas nossas vidas, chamamos o Orixá Xangô, quando estamos diante de conflitos e o consideramos injustos, clamamos por Xangô, pois Ele traz a Justiça Divina.

Mesmo que o sofrimento seja kármico, a demanda necessária, ao chamarmos Xangô, sua energia nos consolará, pois entenderemos que as questões são necessárias, e aquela sensação de indignação, revolta, é abrandada, e aprenderemos a lutar contra o sofrimento, respeitando as vontades divinas.

Portanto Xangô não só resolverás as demandas e conflitos, mas ajustará nossa energia e nosso entendimento para que possamos suportar as questões kármicas, aumentando nosso entendimento e nossa força para enfrentar aquele período difícil de nossas vidas.

Ou seja, pedir justiça, não é a certeza de que iremos receber o que pedimos, mas a certeza de que receberemos o que é melhor para nossa evolução, para nossa iluminação e de que não receberemos nem mais nem menos do que precisamos naquele momento.

Xangô, por ser a própria Justiça Divina, é o senhor do equilíbrio. Equilíbrio que todos almejamos e desejamos. Quando não conseguimos ter equilíbrio não conseguimos tomar decisões, e quando fazemos em geral cometemos erros. Um homem ou mulher equilibrados conseguem observar todos os senões, as artimanhas e lados de uma situação e assim conseguem tomar a decisão com mais propriedade.

Desequilibrados ficamos cegos, surdos para muitos aspectos decisivos das situações que nos encontramos, perdemos a fé, a razão e assim não enxergamos as saídas e os ensinamentos de cada momento Xangô é a força divina que equilibra. A Ele gritamos e cantamos para trazer equilíbrio em nossas mentes.

Mas equilíbrio também é sinal de saúde, pois um organismo equilibrado é um organismo saudável, portanto Xangô também auxilia na prevenção e na busca da Saúde. Razão esta que veremos em alguns pontos de cura, ou do Povo do Oriente a figura de xangô, ou de suas representações, como São João Batista, São Pedro, São Gerônimo. Por exemplo:

“São João Batista, vem, vem,
vem minha gente
Vem chegando de Aruanda
Salve o povo cor de rosa
Salve os filhos de Umbanda”

Senhor do equilíbrio e da Justiça Xangô é representativamente inflexível, pois não pode ceder a caprichos ou mimos, ou uma situação é justa ou não é. Por isso as pedreiras, as montanhas e serras são os sítios naturais de Xangô.

São nestes espaços naturais e sagrados que podemos perceber as energias de Xangô.

Em muitos locais do mundo ainda hoje, e em todas as civilizações em algum momento, a justiça ficou a cargo dos Reis e Rainha, ou seus equivalentes (chefes das tribos). Essa é mais uma explicação para que na maioria dos pontos reafirmarmos a realeza de Xangô.

Mas, além da questão própria da Justiça, afirmamos que Xangô é Rei, pois ele é o senhor que escreve as Leis, ou seja, reside na emanação divina chamada xangô, as regras e as leis da vida. Então somos todos súditos e subordinados desta força divina viva.

Também podemos afirmar que Xangô é rei, pois para nossa raiz entendemos que Xangô é o senhor das Coroas. Como Ele é o equilíbrio de Deus, ao estar em nossas coroas (cabeça) xangô equilibra as forças divinas em atuação em todos os filhos de todos os Orixás.

Nos mitos mais primitivos encontraremos Xangô brincando com brasas, com as labaredas do fogo, pois ele é o fogo. O fogo foi apresentado para os homens por meio dos raios, que ao caírem na terra e atingirem árvores provocavam os incêndios.

O homem fez o fogo ao bater fortemente duas pedras, elemento de Xangô. Por isso os mitos, as lendas tentam explicar como uma emanação divina controla o fogo, para nós podemos dizer que há uma dominação e ligação entre os elementais do fogo com o Orixá Xangô.

Vejam Xangô é o Senhor das Montanhas, pedreiras, a pedra dura, é fruto de um resfriamento rápido da lava (fogo), a pedra é o produto do fogo, sem fogo não há formação da pedra, das montanhas. As serras são fruto da colisão entre duas placas tectônicas, ou da explosão de vulcões, tanto um quanto o outro acontecem pois o fogo do interior da Terra decidiu se movimentar. Xangô é o fogo! Sarava meu pai!

Resumo:

É o Orixá da justiça. Justiça no sentido divino e perfeito, não no sentido do julgamento humano. É a emanação de Deus que dá o equilíbrio a todos os seres. É a força, a estrutura do universo. Se pudéssemos comparar as forças divinas com nosso corpo poderíamos dizer que Xangô é o nosso esqueleto.

Em seus domínios encontraremos as serras, montanhas, pedreiras, pedras em beiras de rios e cachoeiras. Domina raios e trovões. Xangô também domina o fogo.

Orixá responsável pelo equilíbrio, é a força divina providenciando as formas que a lei de ação e reação, ou lei kármica, entrarão em exercício.
Sua representação está associada a um machado com dois lados iguais, o Oxê, ou seja a imparcialidade, o equilíbrio, a própria justiça Divina. Xangô é o próprio poder divino, é a autoridade Divina na Terra.

SINCRETISMO

Em virtude da agressão aos negros os Jesuítas forçavam os nossos ancestrais a culturem a Igreja Católica. Nestes momentos históricos os negros selecionaram alguns santos para representarem seus Orixás. Isto não quer dizer que os Orixás são os santos, e muito menos os santos são Orixás.
Mas neste processo se revelou toda a sabedoria dos negros, ao escolherem as representações que explicam bem o significado do Orixá e o que ele representa.

No caso de Xangô temos como santo São Gerônimo.
São Gerônimo foi o primeiro tradutor da Bíblia, o religioso que permitiu que todos pudessem conhecer a palavra de Deus, ou seja popularizou as regras e leis ditadas na Bíblia, e assim permitiu que os homens e mulheres conhecessem as leis de sua época que eram as leis ditadas na Bíblia.

Ou seja, os negros escolheram o santo que ditou as leis aos humildes para representar o Orixá Xangô. Por esta razão comemora-se Xangô em nossa raiz no dia de São Gerônimo, dia 30 de setembro.


ARQUÉTIPO

Os filhos de Xangô são pessoas que sempre querem estar com a razão. Excelentes ouvintes, podem escutar por horas, mas querem dar a última palavra. Isto, pois, querem ser sempre uma autoridade.
As críticas diretas ou indiretas deixam os filhos de Xangô muito aborrecidos, em geral não as tolerando. Quando a aceitam as críticas guardam aquele momento para em uma ocasião futura criticarem a pessoa que os criticou, mostrando, assim, que eles também são donos da verdade e sabem ver o que os outros erraram. Ou seja, deixar claro que a pessoa não é mais do que ele.

Os filhos de Xangô sempre buscam ser justos. Tentam escutar as partes envolvidas, enxergar todas as possibilidades para então proferirem a sentença. A sentença, o julgamento, é assim, para eles, infalível. E este é o maior desafio dos filhos de Xangô, abrirem mão de julgar os outros, e entender que quem julga é o Orixá, e não seus filhos.

No dia-a-dia são pessoas justas, que procuram atuar sempre de forma equilibrada e ponderada, para que não cometer injustiças.

Voluntariosos e dedicados. Gostam de ajudar suas comunidades, mas gostam de fazer ao seu jeito e a seu tempo.

Pessoas honestas e sinceras, sua sinceridade não é aparente e agressiva como a dos filhos de Ogum, e sim uma sinceridade diplomática. São pessoas cheias de energia, extrovertidas e em geral alegres. Sua auto-estima é bem resolvida, tanto que possuem certo grau de egocentrismo.

São pessoas sociáveis, conscientes de sua importância na sociedade e na comunidade em que vivem, nem que esta importância seja uma suposição desses filhos. São líderes natos, e pessoas cativantes. Sedutores, gostam da arte da sedução, de atrair e conquistar seu par.
Falantes, quando explicam ou contam uma história querem o fazer nos mínimos detalhes. Nesses momentos abrem inúmeros parenteses, ou notas de rodapé para explicar uma palavra, um sentimento, a tal ponto que podem se perder em suas explicações.

Fisicamente (pensem em uma pedra) os filhos e filhas de Xangô possuem algumas características semelhantes. São do tipo atracado, ou seja ombros e quadris largos, fortes e com tendência a obesidade. Não são pessoas muito altas, mas sempre são largas, fortes, com estrutura óssea bem desenvolvida.

Saudação: Kaô kabecilê! (ou Kaô kabecilê obá) – Saudação ao Orixá Xangô que significa – venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa.

Dia da semana –quarta-feira

Cor – Marrom

Ervas – folhas de café; folhas de eucalipto-limão; quebra-pedra; hortelã; ameixeira; alevante; lírio do brejo; erva-de-são-joão, lírio da cachoeira; mulungu; musgo-da-pedreira;

Amalá – 7 velas marrons, 7 velas brancas, fitas marrons e brancas, cerveja preta servida em coeté, amalá de Xangô (gamela redonda forrada com um pirão de farinha de mandioca, com quiabos refogados cortados bem finos, com 8 acaçás (bolinho de fubá branco)), flores diversas.

Outras comidas – fruta do conde, limão (limão caipira ou limão rosa), caqui, jambo, maçã, quiabo, abacate, abacaxi, nêspera.

Domínio: Pedreiras, serras, montanhas, falácias, cachoeiras altas e pedregosas.

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